sábado, 29 de janeiro de 2011

Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.



Martha Medeiros

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Como o vento

Hoje acordei pensativa, um tanto sentimental, querendo ter super poderes tipo prever o futuro, sempre achei isso demais assim nunca seria pega desprevenida. Sou assim calculista.
O sufoco dessa imprecisão sobre o que eu sentia, me fez correr para o único lugar que eu realmente conseguia pensar algo concreto que não saísse da minha realidade e foi pra lá que eu corri, fiquei horas sentada na mesma pedra, onde as ondas simultaneamente batem e me fazem sentir aquela brisa fresquinha que me acalma. Eu pensar devagar é praticamente raro, parece que tenho o vicio de pensar milhões de coisas ao mesmo tempo e estar preparada no mesmo instante.
Só uma coisa conseguiu se esquivar dos meus pensamentos certeiros tem nome e endereço, forma, perfume, gosto, me faz sentir uma grande saudade e AM... AM...

Sentindo o mar saborear a areia fui andando, é uma praia deserta, no meio de uma cidade que não para na temporada, cenário ideal para refletir e andar livremente podendo cantarolar baixinho e chamar nomes ao vento sem ser tachada de louca.
Parecia uma previsão me passar pela cabeça que muitas pessoas tão queridas na minha vida que até ontem compartilhavam da mesma solidão que eu por vezes sentia, hoje andando na rua sozinha ou com uma amiga (o) em comum conheceria alguém que ocupasse sua mente e coração, eu fico feliz em ver que nem todos compartilham até então do mesmo presente que tenho vivido. Encontrar uma pessoa que mexa com você de verdade, que te vire a cabeça é bem difícil hoje em dia, quando encontramos alguém assim, sem vergonha nem constrangimento agarre com todas as suas forças e viva!
Tenho sido feliz e muito graças a Deus, as pessoas que entram na minha vida são selecionadas por algo maior, algo que não se vê de uma forma ou de outra me trazem grande aprendizado, até as que não foram tão felizes assim trilhando o mesmo caminho que eu, independente disso agradeço a todas, sem rancor algum. Apesar da felicidade, a solidão ainda é minha melhor amiga, por opção ou estratégia não sei dizer, mas é real e da pra degustar.
Essa foi à opção que não me trás dor, apenas certa melancolia, porem deixa viva a expectativa que um dia vou reencontrar a pessoa que me da de presente um sorriso para onde sempre quero voltar. É como o vento que não tem parada que tenho vivido de forma intensa, trago tempestades, alivio o calor, posso também dar o ultimo toque a uma paisagem bonita de primavera, e continuo assim... sem ter chegada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Deixa pra lá...

Deixa pra lá tudo aquilo que eu pensei que pudesse acontecer entre nós além de beijos e carícias; aquela minha preocupação mesmo que contida de saber como você estava mesmo distante...

É,  vou deixando de lado todo aquele meu desespero e angustia de imaginar com quem você estaria passando seus dias sem ser comigo... Fui perdendo aquele gostinho de sonhar com você , de imaginar como seria te ver de novo, de abrir aquele sorriso de fazer contrair todos os músculos do rosto por qualquer movimento seu em minha direção.

Não se esquece de alguém assim tão rápido, aliás, não se esquece nunca o que se sentiu, ainda mais quando o sentimento é daqueles que você não sabe explicar, nem mesmo o tempo e as decepções fazem com que você consiga deslocar esse alguém do seu foco principal, ele continuará lá, eu sei, mas você aprende a olhar para os lados, e ir para os lados.

Fui perdendo o meu medo de quebrar a cara, acho que devo até mesmo agradecer você por isso...  Sinto um certo medo de sair da sua vida, mas pensando bem acho que nunca entrei, e tudo que  você fez - é eu sei o que aconteceu, não precisa me dizer nada, não precisa continuar fingindo que eu fui algo que na realidade nunca fui pra você – garanto, não me faz chorar, mas me faz pensar em como fui idiota por me apaixonar por você, não faz sentido isso... mas como dizem, todo mundo gosta de alguém, mesmo que lá no fundinho, mas gosta.

É, eu gosto de você, mas vou deixar bem no fundinho tudo isso que eu sinto, vou deixar pra lá essa mania de querer você, de querer te fazer sorrir e esquecer de mim. Eu poderia aceitar o fato de simplesmente nos darmos bem intimamente, faria bem para meu corpo eu sei, há dias em que realmente queria acordar com alguém ao meu lado, mas melhor não ser você.

Posso encontrar alguém que beije tão bem quanto você, que me faça suspirar ao chegar perto, e que eu possa abraçar forte, e que quando for embora não ficarei com o coração despedaçado, pois eu sei que seria só isso mesmo, nada além, nada igual a você, que me deixaria aflita por querer te ter de volta no segundo seguinte em que se afastasse de mim.

Deixa pra lá o mundinho que eu sonhei  para nós dois, vivamos o mundo real, e ele é grande demais, tem gente demais, e estou saindo pra conhecer tudo isso. Aprendi com você! Você também está fazendo isso,  eu sei...  só me atormenta o fato de eu ter sido só mais uma pessoa nessa sua caminhada por aí, só mais um gosto diferente nessa sua degustação da vida. Mas... Deixa pra lá!

O problema é essa tal de esperança que eu tento matar, mas que insiste em sobreviver á todo esse veneno que se transformou cada atitude minha e sua...

Mas enfim, deixa pra lá, esse amor que ainda insisto em sentir, deixa... eu dou um jeito de traçar os caminhos errados, eu sei fazer isso, você vai ver.

***

(Trilha sonora do texto:  O impossível - Delittus / Atrás do que quis - Etna)

***

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sumi...


''Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.''

(Martha Medeiros)