sexta-feira, 29 de outubro de 2010

8 ou 80

"É engraçado voltar para casa.
Tudo têm a mesma cara, o mesmo cheiro. Nada muda.
Nos damos conta de que quem mudou, fomos nós."
O curioso caso de Benjamim Button

Como é difícil tomar uma decisão que muda completamente sua vida, você pensa e pensa, fica tão exausta que chora baixinho, nem pra você, nem Deus ouvir.
Sair da ‘zona de conforto’ é algo que requer impulso, ousadia, ir pro mundo e seja o que Deus quiser, é uma mudança radical. Assim entre pensamentos radicais tem sido minhas ultimas semanas... Longas semanas!
Fazer as malas, fechar a porta e sair apenas com um papel em mãos que te autoriza a mudar sua historia, no meu caso eu mudo a rota, mas meu ponto de desembarque é o mesmo, talvez eu apenas navegue mais devagar, já que são águas calmas.
Mas ainda assim me apavoro com mudanças que eu desconheça o futuro em médio prazo, sou assim sistemática, tenho que saber tudo antes mesmo de acontecer, é minha medida de segurança, conhecer o método a ser usado.
O que me conforta de certa forma é lembrar-me de um dizer do meu avô querido - “até um chute na bunda te joga pra frente, não tenha medo de errar, é errando que se aprende.”
Então hora de aprender, voltar  de cabeça erguida tendo consigo a certeza de que é o melhor caminho.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Como destruir o amor.


Torne-se algo que não reconheça!
Fuja do que mais tem certeza, se entregue em coisas passageiras, em coisas divertidas e tão irreais, tão fora do que você é! Tudo tão superficial, que na manhã seguinte impossível não se perguntar o porquê de tudo que fez!
Não negue você diverte-se sim! Adora o instante em que percebe que pode sobreviver mesmo com a dor.
Ganhe fácil um Oscar de maior farsante da vida! As pessoas olham você faz com que acreditem que está tudo bem, que está feliz assim, e está tudo sob controle!
Até consegue por vezes enganar a si mesma! Mas na manhã seguinte é a mesma ressaca moral de sempre!
Que te olhem, te desejem, que você seja aquela de que todos querem saber na noite... Vai lá vira uma dose, você nunca fez isso, mas e daí? A noite é sua! Sobe?! Ele quer você, dance como jamais dançou, olhe ao redor, tanta gente, todas olham pra você, ria muito!
Parabéns você aprendeu rápido a andar de salto alto, se maquiar, a usar a roupa certa, dançar... E a ser vazia e superficial
Vai lá, agora volte para casa, veja que aquele mundo não existe você não faz parte dele!
Seu mundinho é outro, pequeno, com espaço para uma única pessoa, aquela que você magoou aquele para a qual você se fez infantil, fez birra, e fugiu...
Agora deite a cabeça no travesseiro, tudo gira e um enjôo absurdo toma conta, e você nem bebeu tanto assim, dá falta de ar, e a cabeça dói! Calma, você vai descobrindo aos poucos que não necessita de medicamentos da farmácia, não é o seu físico que sofre, é o seu espírito, seu psicológico! Comece a lembrar de tudo que fez! Lembre que foi você quem virou as costas pra ele naquela noite, e saiu como se o mundo te esperasse lá fora e você precisava ir rápido para viver tudo aquilo! Uma farsa, mas enfim você disse coisas também, você correu, fugiu, e ainda disse coisas irreais, fugiu do que era real... Agora tome um banho gelado, bata sua cabeça quantas vezes quiser na parede para tentar expulsar o que fez de errado dos seus pensamentos, chore, o barulho da água vai camuflar a tristeza e limpar a maquiagem que te escondeu a noite inteira, agora sim, é você!
Tome um café bem quente, para tentar aquecer a sua vida que anda tão fria.
Volte para o quarto, coloque a roupa mais folgada que tenha. Mas parece que tudo te aperta, o nó na garganta continua, agora você se encolhe, vai, comece a chorar de novo! A sua mente não agüenta mais, seu corpo está cansado, e seu coração machucado, mas talvez nem tanto como o daquele alguém que você feriu...
Parabéns, mais uma etapa concluída! Você aprendeu a arte de ‘machucar’! Você faz isso tão bem que consegue ferir quem mais ama e até a si própria!
Bom dia! Agora é hora de levantar e se deparar com as conseqüências dos seus erros. Finja que a noite foi ótima, e que não chorou litros quando voltou para casa e se olhou no espelho, e que amou a companhia de todo mundo e ‘não faltou naaada’ (não faltou o abraço, o beijo, e aquele aconchego no sofá, as risadas sinceras, o olhar fixo desenhando as linhas do rosto para gravar em você aquele momento, o silêncio enquanto simplesmente sua alma sorria por estar com ele... ok finja que isso não é nada mais uma vez!).
Hum, está pelo caminho certo! Você está destruindo o que mais te faz bem! Por medo? Insegurança? Olhe pra ele mesmo de longe, e sinta seu coração disparar, suas mãos ficam agitadas, sente o nó na garganta? Mas vê como ele está feliz? Parabéns campeã, você destruiu o amor! O dele por você, pois o seu por ele é impossível!
Continue fingindo ser o que não é, finja ser feliz e não ser! Corra, vire as costas, e viva movendo mundos para tentar vê-lo mais uma vez... E quando deitar, lembrar dele, sonhar com tudo o que se viveu e se perdeu, e o que ainda por mais que se negue queira que volte! E pensar que ele possa estar fingindo também, e esperar inutilmente qualquer sinal para descer do salto e correr ao seu encontro, como uma criança em direção ao mar na sua primeira vez na praia, como se tentasse ir para o infinito, e esse infinito chamado ‘amor’. Espere que ele venha te pedir para voltar como se ele fosse o culpado!
Mas se nada disso adiantar, e você desistir de fugir do que sente por ter medo, por ser insegura, não querer sofrer (mas você que sofre bem mais assim o afastando de si) que tal dizer: ‘EU TE AMO’?

Tempo...

Chega a ser até engraçado como as pessoas fazem questão de medir as coisas por tempo!
É um clichê, sem sentido algum. “Nossa fulana vai casar com aquele cara? Mas eles se conheceram nas férias! Tão pouco tempo... Deve estar de ‘barriga’...”
Se fosse assim, nascer seria algo insignificante! Tudo bem você fica nove meses, que nem é tanto tempo assim também, na barriga da sua mãe, e para nascer muitas vezes é o tempo de um espirro, e fim! Agora diga para os seus pais que foi tudo tão rápido e que seu nascimento não foi importante por isso, e as noites em claro deles quando o neném tem febre, fome, tá molhado, tá sem sono, quer mamar... Os anos levando e buscando na escola, na natação, na casa da amiguinha... As noites sem dormir, dessa vez esperando voltar da balada, espiando da escada o primeiro namoradinho (a)...
Definitivamente não é o tempo em que as coisas ocorrem que irá medir o quanto importante elas são!
Às vezes até mesmo coisas rotineiras que duram frações de segundo podem mudar muitas coisas, e terem uma importância desmedida depois!
Uma rapidinha, por exemplo, foi pá pum! Mas você já pensou que pode engravidar? Pegar AIDS? Foi um flash sim, mas com conseqüências permanentes! Ok, sem dramas, brisei um pouco!
Não acredito nessa de amor a primeira vista, porque estaria caindo em mais um clichê, mas que o amor pode ocorrer em um tempo recorde, ah aí sim! Ou que o amor possa envelhecer como vinho, também acredito!
Aquela coisa de intensidade é o que vale! O tempo é apenas obrigatório para que algo exista tudo tem um tempo para ocorrer, se vai ser curto ou não, não é o que implicará na importância do que ocorrido! Tudo isso principalmente quando o assunto é o amor!
Para amar não há um tempo determinado, você pode ter ficado poucas vezes com aquela pessoa, uma vez, ou nenhuma, e sentir em poucos instantes, em poucas palavras, em pequenos gestos que aquilo que você sente não é apenas um interesse passageiro, a intensidade daquilo pode te mostrar que o sentimento que você tem é real, e sim você está amando! Ou bem pelo contrário, passam-se meses, anos e o amor que sente por alguém ao invés de se extinguir permanece mais forte do que nunca, mesmo que a distância e a falta de notícias insistam em questionar o tempo que passou assim sem reciprocidade de sentimentos e que você precisa seguir sua vida e desistir daquele alguém!
Assim como tantas outras coisas o amor não se faz  vencer  pelo cansaço, pelo tempo em que dura , e sim pela intensidade e pelo que desperta em você!
Deve sim ser cultivado, é como uma planta, nenhuma específica, pois assim como as diversas variedades, algumas desabrocham rapidamente, outras demoram anos...
Há única coisa que essa plantinha necessita sem que se passe muito tempo é que seja revelada a ela as palavrinhas mágicas “eu te amo”, pois muitas pessoas podem cultivar a mesma planta pela mesma pessoa, e dizer isso antes de você!
Em mais uma pequena contradição de que o tempo não é tão importante assim... apressar-se para ser feliz e amar não tem problema algum!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ao pequeno verso de Florbela Espanca, começo hoje essa breve postagem.


 

“Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou.”


Eu corri, corri, corri, corri, pensei ter encontrado transando as pernas num balé desajeitado me dei com as faces no chão. Daí em diante me resguardei, dias e mais dias, trancada dentro de mim mesma esperando apenas em minha companhia, o que havia perdido dentro de mim. –VAZIO-
Desisti, fiquei amortecida, que a vida passe e quem me atrapalhar que vá para os diabos!
Foi assim que passei um tempo perdido, querendo nunca mais querer, mas quando finalmente consegui meu equilíbrio, o impossível aconteceu e bagunçou tudo, mexeu com a minha cabeça, com meu instinto, fez aquelas benditas borboletas fazerem cócegas no meu estomago...
Sujeitinho insolente, quem é você pra virar a minha cabeça? Pra me fazer abaixar a guarda? Quem é você pra me arrancar sorrisos sem mais nem menos?
Reconheço é verdade, só você me desperta a paz, as palavras carinhosas há tempos esquecida, a doçura de ser menina, o desejo de ser melhor e a certeza de ser feliz.
 

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Não é que você deixa, e sim o que você é para alguém!

Insisto sempre em dizer que sou tão criança, mas às vezes tenho que crescer num instante!
É difícil retirar as coisas do armário, limpar as gavetas, abrir espaço... É como se estivesse tirando você das nossas vidas!
Dói de um jeito que eu nunca pensei que pudesse doer! Dói à alma, aperta a garganta, dá frio... É você se foi! Quanto tempo? Nem sei mais, perdi as contas desde que você partiu.
Não vou dizer que você foi o melhor do mundo, mas deu o seu melhor né?!
Era ruim até demais eu sei, mas quem era eu? Uma cópia tua, sua versão feminina, mais nova e mais turrona! Nossos ideais tão discrepantes e tão iguais! Diferentes porque queríamos outros vôos, tão iguais porque eram tão nossos, lutávamos com unhas e dentes por eles.
A sua menininha ‘futura veterinária’, sonhou ser arquiteta, do nada mudou de rumo, e você? Tão ruim tão autoritário só falou: “Você está feliz? Pra mim é o que basta!”
É verdade quando dizem: os pais se deixam pra segundo plano quando o assunto são os filhos... Ou que eles sempre fazem o gosto de suas crias! Queria que você não tivesse levado isso ao pé da letra pai... Quantas vezes pedi para você sumir, você morrer, porque eu não precisava de ti?! Tão impensado tão infantil! Mas você como pai cumpriu aquele desejo irreal e me deixou aqui, com sua falta pra sempre!
Retirando as coisas do armário depois de tanto tempo que você partiu, percebi o quanto vivo ainda está em mim! E não é o simples ‘se desfazer’ das coisas materiais que tu deixou que vão te levar daqui!
Fiz-me forte na tua frente, fui pra longe pra dizer que podia ser alguém sem você! Mas não era real, nada foi feito sem você, tudo que lutei para construir, era pra você, para mostrar que eu poderia ir além! Você me transformou em alguém forte, é! Não me moldei assim sozinha.
Queria sempre ser tão independente de ti, mas ao saber que mesmo o quão longe eu fosse, alguém estaria me olhando e eu teria para quem voltar me dava paz, me tranqüilizava... Tudo fazia sentido.
O seu silêncio naquele momento em que vi que realmente você partiu foi gritante, trouxe a tona tudo que havia em mim (meu choro, meu grito, meu desespero...), levou com o vento tudo que eu havia construído...
Ainda sinto como se um vendaval incansável tira meus pés do chão e me leva pra longe de tudo aquilo que eu tento construir, não me sinto forte o bastante!
Sei que não é certo fugir, porque a vida contínua, nem mesmo culpar somente tua falta pela minha incapacidade de tentar ser feliz, mas tudo ainda é confuso, parece que não tenho o direito de continuar sem você...
Tem uma rachadura em mim, mas eu sei que vou consertar, e mesmo longe você vai me ajudar pai! Com o cimento feito com as tantas músicas que você me fazia cantar enquanto me fascinava ao tocar aquele seu velho violão, os seu desenhos que eu teimava em  dar meu ‘pitaco’ e minhas pinceladas... Coisas de pai né? Que dão base para qualquer filha bobona!
E o tempo não irá te apagar jamais, irá fazer de você meu maior motivo para continuar e recomeçar mais uma vez!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Duas frases que irão te ajudar um dia.

1)Esse é o jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência…
2)Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa.


Foi ouvindo essas frases da Carol hoje pela manhã, que enxerguei que realmente você se pega nessas situações em algum momento do seu dia ou da sua vida.
PACIÊNCIA como é difícil depender dela, ficar imersa a decisão de alguém e não poder fazer nada porque as vezes o que você deseja não depende só de você, e ai depois de muita PACIÊNCIA, de esperar pela DECISÃO imerso num deserto de falta, você acaba descobrindo que na decisão da outra pessoa você não está incluída!
E ai? E ai? E ai você guarda tudo sozinha dentro do peito, até o que não te cabe e sente dor, sim sente muita dor, sozinha, porque até podem te ouvir e tentar consolar com belas palavras e abraços, mas dentro de você nada muda triste realidade!
O tempo ameniza ou como eu digo ‘anestesia’ como morfina, você sobrevive, vai levando, até que o TEMPO, sábio TEMPO, cicatrize e ai você tem guardado na mente e no coração sem dor.
Mas... e a mala da PACIÊNCIA?
Essa mala você carrega, eu carrego ela todo dia, o tempo todo, é impressionante como a paciência controla a dor, ela te manipula, te faz de boba de si mesma e mesmo o que pra você já morreu, ela faz no fundo você lembrar-se de um sinal de vida...

Como a voz e o vento que me lembrou você e que me faz lembrar que você já não cabe mais em mim.

Como música fala muito por nós, vai uma do meu repertório pessoal.
http://www.youtube.com/watch?v=bOb35vEtn3Q



Post independente da Cris.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não é como antes...

A gente pensa que a idade traz maturidade e isso seja bom, descobri que nem tanto!
Era tão mais fácil ser criança, acho que sofria menos, errava menos... Era mais sincera com meus sentimentos!
Se sentia falta chorava e dizia estou com saudades,
Não fingia não gostar, tão menos fugia para disfarçar...
Não forçava um erro por medo de tentar!
Músicas simplesmente serviam para me alegrar,
E não para pensar no que se perdeu daquilo tudo que se viveu...
Sonhos eram metas de vida, queria ser bailarina, ou quem sabe até mesmo policial?!
Sonhos não eram decepção como hoje os vejo ao acordar,
E perceber que aquele alguém não está lá...
Meus medos se resumiam na mula sem cabeça e no monstro do armário
Não era o de perder algo sem ao menos saber se o tive!
Brincar de esconde-esconde era só um passa tempo,
Não era um lema de vida onde escondia meu coração e o que ele me pedia para fazer.
Eu sei que não há como voltar
E acho que não iria querer, pois jamais saberia o que é amar
Mesmo que junto tenha descoberto o que é perder!
Mas uma coisa acho que não mudou, permaneceu da essência de ser criança
Aquela velha história de guardar segredos...

(Nota: post independente de uma sentimental aê haha)