terça-feira, 12 de outubro de 2010

Não é que você deixa, e sim o que você é para alguém!

Insisto sempre em dizer que sou tão criança, mas às vezes tenho que crescer num instante!
É difícil retirar as coisas do armário, limpar as gavetas, abrir espaço... É como se estivesse tirando você das nossas vidas!
Dói de um jeito que eu nunca pensei que pudesse doer! Dói à alma, aperta a garganta, dá frio... É você se foi! Quanto tempo? Nem sei mais, perdi as contas desde que você partiu.
Não vou dizer que você foi o melhor do mundo, mas deu o seu melhor né?!
Era ruim até demais eu sei, mas quem era eu? Uma cópia tua, sua versão feminina, mais nova e mais turrona! Nossos ideais tão discrepantes e tão iguais! Diferentes porque queríamos outros vôos, tão iguais porque eram tão nossos, lutávamos com unhas e dentes por eles.
A sua menininha ‘futura veterinária’, sonhou ser arquiteta, do nada mudou de rumo, e você? Tão ruim tão autoritário só falou: “Você está feliz? Pra mim é o que basta!”
É verdade quando dizem: os pais se deixam pra segundo plano quando o assunto são os filhos... Ou que eles sempre fazem o gosto de suas crias! Queria que você não tivesse levado isso ao pé da letra pai... Quantas vezes pedi para você sumir, você morrer, porque eu não precisava de ti?! Tão impensado tão infantil! Mas você como pai cumpriu aquele desejo irreal e me deixou aqui, com sua falta pra sempre!
Retirando as coisas do armário depois de tanto tempo que você partiu, percebi o quanto vivo ainda está em mim! E não é o simples ‘se desfazer’ das coisas materiais que tu deixou que vão te levar daqui!
Fiz-me forte na tua frente, fui pra longe pra dizer que podia ser alguém sem você! Mas não era real, nada foi feito sem você, tudo que lutei para construir, era pra você, para mostrar que eu poderia ir além! Você me transformou em alguém forte, é! Não me moldei assim sozinha.
Queria sempre ser tão independente de ti, mas ao saber que mesmo o quão longe eu fosse, alguém estaria me olhando e eu teria para quem voltar me dava paz, me tranqüilizava... Tudo fazia sentido.
O seu silêncio naquele momento em que vi que realmente você partiu foi gritante, trouxe a tona tudo que havia em mim (meu choro, meu grito, meu desespero...), levou com o vento tudo que eu havia construído...
Ainda sinto como se um vendaval incansável tira meus pés do chão e me leva pra longe de tudo aquilo que eu tento construir, não me sinto forte o bastante!
Sei que não é certo fugir, porque a vida contínua, nem mesmo culpar somente tua falta pela minha incapacidade de tentar ser feliz, mas tudo ainda é confuso, parece que não tenho o direito de continuar sem você...
Tem uma rachadura em mim, mas eu sei que vou consertar, e mesmo longe você vai me ajudar pai! Com o cimento feito com as tantas músicas que você me fazia cantar enquanto me fascinava ao tocar aquele seu velho violão, os seu desenhos que eu teimava em  dar meu ‘pitaco’ e minhas pinceladas... Coisas de pai né? Que dão base para qualquer filha bobona!
E o tempo não irá te apagar jamais, irá fazer de você meu maior motivo para continuar e recomeçar mais uma vez!

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