quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Das cartas que não vão pelos correios... #1

Oi, tudo bem? Não sei se onde você está tem calendário, mas já é final de ano sabia? Não teve ceia de Natal aqui em casa, a mãe não sabe cozinhar tão bem, e sem falar que você fez falta, não só pelas super receitas, fez falta pela chatice de perfeição na hora de enfeitar a árvore, a mesa... Ainda faz aquele calor horrível  e chove pra caralho nos finais de tarde aqui, ops! Desculpa eu sei que você não gosta que eu xingue, estou tentando parar  - assim como você tentou parar com os cigarros né?
Eu estou em casa, e nem é por causa das férias, desculpa mais uma vez, é que eu larguei a faculdade, bem que você dizia para eu fazer aquilo que gostasse, sem pensar em dinheiro, porque ele era consequencia do que se faz com prazer. Acho que vou fazer arquitetura, ou tentar desenho industrial sabe, é bem nossa cara não é? É que a mãe diz que eu estou tão parecida com você, que eu fico procurando coisas que serveriam pra você também.
O seu cinto da Harley Davidson e a jaqueta de couro eu peguei de herança, tudo bem né?
Ah eu tenho duas canecas super legais para tomar café, eu te emprestaria uma se você estivesse aqui,  e até aprendi a fazer! Apesar de que ainda lembro do seu,  logo cedinho, quando eu acordava para ir ao colégio e você já estava na cozinha fazendo nossa sagrada bebida.
Não vai ficar bravo né? Mas é que eu estraguei  o seu violão, e nem aprendi a tocar como você sempre quis. Mas se te faz feliz, eu pego sua coletânea dos Beatles e escuto um pouco, mas que fique claro que minha banda preferida ainda é Darvin ok?
Acho que você não vai gostar, mas eu cortei o cabelo e coloquei um piercing no nariz, mas eu tirei os alargadores também, ainda me visto meio estranha, o vô tira sarro por você quando eu vou na casa dele. O Palmeiras não ganhou nada esse ano - eu acho -, não assisto mais as corridas de Fórmula 1 aos domingos, mas aindo assito Todo mundo odeia o Chris como faziamos juntos ao finais de tarde.
Sabia que eu me viro bem andando de ônibus em São Paulo? Grande vitória esse ano!
Não bebo e não fumo, assim como você sempre quis que fosse!
Ô paiêee, você ainda ‘tá moreno da cor do pecado’? Eu brinco que meu pai é morenão ainda!
Ah e eu sinto sua falta tá? Não sei porque, brigávamos tanto né? Mas acho que erámos muito parecidos, deve  ter sido isso, essa coisa de pólos iguais que se repelem!
Mas só uma coisa, eu sei que você me visita de vez em quando, te vi na véspera de Natal perto da porta, andando em silêncio, por que não veio falar comigo? Me chamar de ‘ginguelona’- ainda não descobri o que é isso!
De tempos em tempos eu penso em te escrever, mas não sei para onde enviar, eu crio cartas na mente, e deixo que se tranformem em lágrimas e se desprendam de mim, e que no ar elas voam para encontrar você.

Beijos Pai!
Te amo amo amo tá bom?! Tá bom! 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pessoas descartáveis

Tenho ficado exausta de ver pessoas cada vez mais dispensáveis nesse caminho que tenho trilhado.
Pessoas que não se dão o valor, não dão valor ao semelhante, pessoas que usam a outra e se fazem de vitimas após o feito como se fossem extraordinários exemplos a serem seguidos.
Isso tudo me faz pensar que rumo é esse que estão seguindo por ai, ninguém pensa mais em se conhecer por dentro e explorar o que há de melhor, fazer o certo agora é ser taxado de otário, se você for bonzinho qualquer um te faz de bobo, se você é gentil, honesto e principalmente cavalheiro, você é um grande ridículo!
Acho que nem existem mais pessoas que valorizem um namoro correto, que acreditem em casamento, pessoas humanas... Estou sendo radical? Admiro os pingüins por isso, quando acham sua parceira é realmente até que a morte os separe.
Digo isso porque eu vi de perto um pedido de namoro bem original, sem ter um ambiente romântico ou flores, na livraria onde não estava comprando livros estava apenas paisana tomando um cappuccino, a menina se sujeita a dizer – “não sei, estamos assim há muito tempo, agente se gosta porque agente não namora, sei lá”, o cara enrolou um tempão pra dizer –” não, namoro não, é serio demais vamos curtir não to a fim de me prender a ninguém.”
Eu que estava assistindo é que fiquei sem graça, namoro agora é game over mesmo, o negocio é você usar a pessoa, ficar com ela meses, gastar o valioso tempo e também seus sentimentos e quando você estiver satisfeito e enjoado, jogue fora, pessoas são descartáveis depois vem alguém, recicla e usa de novo. É ENCANTADOR!
Eu falo para todos os “fanfarrões” como diria o meu irmão, para amassarem uma folha de papel, amasse bastante e depois tente deixá-la lisa de novo, ela não vai ficar como antes, e não é diferente com as pessoas, seja quem for tudo o que você faz deixa marcas, algumas marcas boas, outras verdadeiras cicatrizes que fecham, mas que uma vez ou outra doem bastante. Pessoas não são recicláveis, ser cordial e fazer o bem, isso não é ser idiota, leva a vida mais a serio, pelo menos um pouquinho e faça sua parte eu e muitas pessoas por ai, agradecemos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

E ainda continuo aqui.

Mais um ano indo embora e ainda me jogo do mesmo jeito na cama com a velha camisa que caberia duas de mim dentro, com luzes apagadas, a televisão ligada – no mudo, pois só quero a presença, mesmo que fictícia, de alguém no meu quarto –  escutando a mesma música umas mil vezes quando me identifico... Aliás, ainda fico procurando por aí coisas nas quais eu me enxergue, músicas, poemas, crônicas... É que apesar de tudo que aconteceu nesses últimos tempos ainda não sei me definir muito bem. Por isso ainda fico por aqui, largada, quietinha o dia inteiro, remoendo pensamentos, abrindo e fechando gavetas e portas, lendo meus velhos diários e tomando um bom café. Pensei em começar a beber sabe, está tudo tão confuso que queria ficar um pouco fora de mim. Abro e fecho a geladeira, pego uma garrafa na mão, ensaio, e volto pro meu quarto. É, ando com mania de largar as coisas pela metade... acho que ando meio egoísta também, não compartilho, gosto do que é meu, só meu e ponto! Ah, e peguei uma mania chata de ser mais birrenta mais do que antes,  faço coisas por impulso, faço só o que quero também! Lembro  daquele dia que eu decidi largar tudo, andei pela cidade inteira escutando minha banda preferida , aquela multidão passava, o vento batia, e eu nem sei bem no que pensava, eram flashes, lembrei dele, queria ficar por ele, e só por ele, mas alguém me disse que não existia nós, eu nem questionei... Bem outra coisa desses tempos, parei de buscar tantas explicações! É  que parece que as coisas andam meio sem sentido, vou deixando pra lá... Vou trazendo lembranças pro meu quarto! E aqui fico vendo tudo passar pelos meus olhos e pelo meu coração... As vezes durmo, choro, fico com meu olhar perdido, sento na frente do espelho me olho... Eu mudei um pouco vai, o corte de cabelo está diferente, até que ganhei um pouco de experiência... Mas me sinto estranha como antes... mais um ano passando e eu aqui, tentando me encontrar!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Remar. Re-amar. Amar.

"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou.
Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também!
Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar.
Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.
Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.
Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!
Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."


(Caio F.)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tentar ser feliz é tudo que ela quer

Volta pra casa
Sozinha dessa vez
A chuva lava sua alma
Na madrugada
Cartas rasgadas
O sonho se desfez
Não vai mais se sentir culpada
Outra vez
Cansada de ver o tempo passar
A vida seguir sem brilho no olhar
Então decidiu se fortalecer
Melhor desistir de algo que não vai mudar
Pra viver sua vida (Pra viver sua vida)
Atrás do que quis
Tentar ser feliz
É tudo que ela quer
Luz apagada
Estranha nitidez
Na sua frente uma estrada
Pra seguir
Suas escolhas
Ajudam a crescer
Agora já se encontra pronta
Pra sorrir!
Cansada de ver o tempo passar
A vida seguir sem brilho no olhar
Então decidiu se fortalecer
Melhor desistir de algo que não vai mudar
Pra viver sua vida (Pra viver sua vida)
Atrás do que quis
Tentar ser feliz
É tudo que ela quer
Pra viver sua vida (Pra viver sua vida)
Atrás do que quis
Tentar ser feliz
É tudo que ela quer
Ela quer


Atrás do que quis - Etna

domingo, 5 de dezembro de 2010

Meu, meu, meu!

E uma nota antes de começar: Você é meu ok? Eu decidi isso e não tem como mudar.

É um ponto de partida meio estranho, mas dizer que alguém é meu sem ao menos esse alguém saber, é pra enganar a cabeça, pra que ela aceite esses desvaneios que o coração nos faz ter.

Que fique claro que dizer ‘você é meu’, não é da boca pra fora, requer pensar e repensar, se desarmar para sentir sem culpas esses sonhos loucos, engraçados e até mesmo pecaminosos com outra pessoa, mesmo que ela não saiba, mesmo que você não diga diretamente (mas sabe está nas entre linhas, é só olhar melhor).

Essa possessividade, provém de um amor reprimido, um amor mal resolvido, um amorzinho, ou simplesmente um amor! Aquele frio na barriga que vem sei lá de onde, e fica toda vez que se lembra daquela pessoa.

Ter ciúmes doentios de outras pessoas que se aproximem? Vale. Imaginar ser apresentada para a família dele? Vale. Os amassos escondidos? Mas ô se vale! Consultar os astros? Sim, sim, sim! Casamento?Hum, pode vai. Banho de chuva, beijos desentupidores de pia, arrepios, sussuros, suspiros e mordidas? Sem dúvidas! Fantasias, carinho, cafuné? Yes.

Agora, isso acontece quando internamente eu digo ‘você é meu’, mas isso é bem melhor na realidade, e se esse ‘você’ quiser  ter tudo isso também, é só dizer ‘você é minha’.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nada pela metade

‘Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.(...)'
Clarice Lispector

Não sei de onde me vem essa minha mania de colocar tanta intensidade, de quase morrer em um segundo e transbordar gargalhadas no instante posterior. Não é falsidade, é essa minha teimosia em sentir demais, de me apaixonar por tudo ou odiar o mundo de uma forma tão arrebatodara e por vezes repentina que me assusta.

Por vezes contenho-me aos olhos alheios, mas só dentro de mim sei o turbilhão de sentimentos que se forma por cada momento, cada gesto, cada palavra, cada sensação que me ocorre!
Não beijo por beijar, não danço por dançar, não rio pra agradar. Gosto que as coisas valham a pena, pois sei que vou lembrar de tudo, remoer cada sensação que me foi despertada.

Se quero alguém quero inteiro, não gosto de metade, sinto a necessidade de me doar por inteira também, quero corpo e quero coração!
Se sinto saudades, pode ter certeza que não é uma saudadezinha, e sim daquelas que te enchem o dia, te fazendo abrir e fechar portas, andar por aí lembrando de alguém!

E se eu finjo? Faço muito bem também! Faço acreditar que não gosto, tanto quanto gosto loucamente por dentro!
Se sou criança, pode ter certeza que vem da alma, mas nem por isso deixo meus instintos, se faço joguinhos daqueles nada infantis, acredite é porque senti, porque quis!

Posso ser inconstante, mas bem mais que isso: Sou intensa!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu deixo tudo ao seu critério, ser insitente já não me convém

Com tanta gente por aí, oferecendo braços, mãos, bocas, beijos, surruços e abraços, e eu ainda insistindo em você... Por quê? Pra que?  Qualquer dia eu canso e  deixo meu coração por aí, vou abraçar outros corpos, experimentar outros gostos, te deixar no tempo!


Não é o que eu quero, mas as vezes penso que é o que eu preciso. Tantos pelos quais sonhei, estendendo  as mãos agora pra me levar pra longe de você.  Se tornaram só rostos pra mim, imagens esfumaçadas pro meu coração, e só você vivendo interinho e nitidamente dele... Mas não ache impossível essa fumaça me entorpecer e me deixar meio louca pra viver por aí!


Não consigo viver pela metade! Não me contento com metade de você, metade do seu coração, aquela do desejo por corpos juntos e risadinhas, e fim... Quero teu corpo e tua alma em mim, se não for assim que não tenha nada então!
Vou viver de vento!

Eu tento de mansinho, e só você não vê. É por que é cego? Ou é por que realmente não quer ver?
Queria que tivesse o mesmo efeito que antes, que suas palavras me fizessem estremecer, que ao menos eu soubesse quem é você!

Parece tão superficial, é pele com pele então e nada mais, se for pra isso deixa eu pegar meu rumo, torto? Pode ser, mas meu coração não vai sofrer quando acordar e ir embora daquela cama pra não mais voltar!

Dá brecha pra eu entrar  no seu coração? Não precisa dizer idiotices românticas, deixa mostrar que isso dá pra sentir, quando a gente dormir de conchinha, ou apenas nos olharmos.
Abre a porta vai? Não consigo chamar mais aqui de fora, a voz está rouca já... Mas se não quiser, se não puder, avisa? Coloca essa placa de ‘vendido’ logo, que eu vou embora de vez!

Têm portas abertas por aí que me permitem entrar, fumaças prontas para me carregar! É que eu acho que estou ficando cansada de esperar...