quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Só me deixa imaginar...


Sempre achei patética essa história de ‘casamento’, juras de amor eterno e afins!


Mas confesso de que uns tempos pra cá me vejo tão idiota e por vezes tão sentimental, fantasiando... Que nem me é mais tão absurda assim essa história de juntar as escovas de dente! Acho até engraçada, e divertida!

Calma, não é que eu queira ser dona de casa, mãe de um time de futebol, e mais uma companhia de balé inteira! Nem que queira isso tão já, agora, assim de supetão. Só fico imaginando como seria levantar cedo sempre ao seu lado - ou  quase ao seu lado, nossa briguinha da noite passada sobre quem deveria ter lavado a louça me fez deixar você e seu samba canção de bichinho dormirem no sofá  -, e poder te acordar com um ‘bom dia’, ou um ‘me deixa dormir vai...’; ou as vezes, nem dizer nada, o silêncio mais um beijinho  e uma mordidinha e fim, nossos dias já começariam bem!

Nosso apartamento tão aconchegante, meio desorganizado eu sei, com certeza a empregada cobraria o dobro do salário, mas tão nosso, onde por muitas vezes ficávamos o feriado prolongado inteiro!
Mesmo tendo a nossa casa na praia, com uma mini-ramp e umas plantinhas pra cuidar. É que tantas vezes seu emprego, seus milhares de planos por fora, sua banda e minha insistência por acreditar que aquela faculdade que depois de tantas que cursei, eu finalmente consegui terminar ainda não era o que eu queria, e estava tentando fazer outra (ser física nuclear naquele momento era meu sonho), nos deixavam tão carentes de nós, de casa e daquele silêncio que incrivelmente pairava pela maior metrópole do país, que preferíamos ficar ali mesmo!

Aproveitando cada metro quadrado de chão, tapete, piso e parede que ainda não haviam sido estreados... Assistindo zilhões de filmes, ou apenas escutando enquanto terminávamos de amaciar o sofá!
Organizando nossas bagunças, até encontrarmos o álbum de fotos do nosso casamento, ou melhor, dizendo aquelas férias com luau na praia que se transformou na nossa ‘cerimônia de união’, aquele seu amigo tocando a música da nossa banda preferida enquanto aquela minha amiga, meio bêbada eu sei, fazia a vez de padre e apesar do estado meio fora de si disse coisas lindas.
 
  
Tudo bem que depois que voltamos da viagem tivemos que organizar as pressas um novo casamento, dentro das leis e da religião porque sabe como é família né? Poderíamos ser considerados um casal ‘fofo’ para eles, mas sempre que contrariávamos eles com nossas aventurinhas e doidices, aquietávamos e cedíamos! 

Mas aquela pompa toda do nosso casamento na igreja com direito á pares de padrinhos e madrinhas que cobriam de ponta a ponta o altar, não tinham tanto valor como aquela praia com nossos amigos, onde no meio de beijos, risadas, bebedeiras e cantorias, nossos olhos brilharam junto com aquelas estrelas e vimos que nos queríamos pra vida inteira, desde manhã até adormecer, e poder ao acordar ver que o sonho era real!

Ficar imaginando nossas brigas insensatas... Só para depois poder pensar na reconciliação!

Quando eu arrumaria minhas malas e diria que voltaria para casa da minha mãe no interior, porque havíamos nos estranhado depois daquele show, onde o guitarrista da banda me reconheceu depois de mil anos luz, e você enciumado encheu a cara e começou a ser arrogante. Fui para a rodoviária, já que havia batido meu carro na semana passada tentando manobrar no estacionamento do shopping depois de ter comprado aquela cafeteira modernérrima pra te dar de presente de ‘dia qualquer’, e você foi atrás de mim, me jogou dentro do seu carro de um jeito que me fez chorar. Chegamos em casa e meus soluços se misturavam com o barulho de nossos beijos, e tudo estava bem novamente.

Aquelas manhãs onde só havia café preto, que era a única coisa que definitivamente nunca faltava na dispensa, porque acho que ainda acreditávamos que ‘amor enchia barriga’!

As noites em que nosso super jantar tinha  em no cardápio lasanha congelada, suco de caixinha e de sobremesa... Ops, sempre nos esquecíamos disso e saíamos para comprar algo na padaria da rua de trás, que sempre era emendada com uma passadinha no cinema!

Ou aqueles dias de calor absurdo em que brigávamos pelo única ventilador da casa, já que você não tinha me deixado chamar o técnico para consertar o ar-condicionado, porque jurava que o arrumaria na hora de almoço do dia seguinte. Dia seguinte esse já demorava semanas para chegar...

E aquele dia em que passei mal pela manhã só com o cheiro do seu perfume, estranhamente porque era uma das coisas que eu mais gostava em você! E isso se repetiu por vezes, até você me arrastar para o hospital. 
Onde o resultado do exame apontou uma coisa assustadora que a nossa surpresa dava na cara: “como assim?! Agora somos três?”

Bom,  acho que essa coisa de casamento até é engraçada de se imaginar, mas essa coisa de alguém te chamando de papai e mamãe, é medonha, então paro por aqui, minha imaginação não consegue transpassar essa barreira entre o nós dois e nós três, ou quatro...(risos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário